Aceito você de longe. Aceito suas costas indo. Aceito o último cacho virando a esquina. O último fio preso no pé da minha cama. Não é que aceito. Quem gosta assim não come migalhas porque é melhor do que nada, come porque as migalhas já constituem o nó que ficou na garganta. Seus pedaços estão colados na gosma entalada de tudo o que acabou em todas as instâncias menos nos meus suspiros. Não se digere amor, não se cospe amor, amor é o engasgo que a gente disfarça sorrindo de dor. Aceito sua consideração de carinho no topo da minha cabeça, seu dedilhar de dedos nos meus ombros, seu tchauzinho do bem partindo para algo que não me leva junto e nunca mais levará, seu beijinho profundo de perdão pela falta de profundidade. Aceito apenas porque toda a lama, toda a raiva, todo o nojo e toda a indignação se calam para ver você passar.
Tati Bernardi
Ver você nesses últimos quatro dias e não poder mais ficar na ponta do pé para poder te abraçar e me pendurar no seu pescoço como eu amava fazer foi excruciante. Te procurava a todo momento, achando que toda pessoa alta podia ser você e quando te achava, perdia uns bons minutos te observando. Meu coração desgastado e cego de amor te acha lindo mesmo ao te ver, naquela roupa que te deixa com um ar de marginal, preocupado com os milhões de pequenos problemas que surgiam.
Minha vontade era de ir até você te dar um beijo e oferecer toda e qualquer ajuda que eu pudesse te dar. Porém, não tive coragem de fazer isso, e apenas fiquei te observando em silêncio. Torcendo para que você não visse minha cara patética resultante da mistura de abandono, dor, admiração e amor. E ao mesmo tempo torcendo para que seus olhos também me procurassem e vissem essa minha cara patética porque meu maior medo é de que você desista de mim, por achar que eu desisti de você.
Não vou negar que eu venho tentando desistir de você. Até porque todos que me aconselharam ultimamente, tirando uma amiga em especial, dizem que eu preciso te superar. E que vai ser ruim no começo mas que eu vou me acostumando a não te ter mais por perto. Mas sinceramente, te esquecer me parece impossível. Eu ainda não tenho certeza se quero mesmo superar essa separação, porque toda vez que eu te vejo meu coração ainda dispara, eu fico nervosa, e as borboletas se agitam no meu estômago. E todo dia eu penso se as coisas estavam mesmo muito insustentáveis para que nosso término fosse a melhor das soluções.
Te ter por perto é um pouco como um oxímoro, já que se trata de um sofrimento aliviador, pois apesar de ser um pouco insuportavelmente doloroso eu ainda tenho a chance de te ver e de ter por perto, quando a saudade aperta demais.
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